No final do século XIX, foi publicado um livro na Inglaterra chamado Lombard Street, em que se discutiu pela primeira vez o que fazer no caso de crises bancárias. Seu autor, Walter Bagehot, escreveu que uma crise como essa passa por três fases: o alarme, quando o público percebe que uma ou outra instituição está fragilizada e pode quebrar, o pânico, quando se desconfia que todo ou quase todo o sistema financeiro pode estar abalado, e a loucura, quando cada um se convence que não há mais salvação e é o salve-se quem puder. Nesse esquema, os Estados Unidos, e, a partir dali, o mundo todo, podem estar no limiar entre o pânico e a loucura. Há muito tempo não se vivia uma situação tão perigosa e de desdobramento tão incerto como vivemos hoje.
Quem não estuda as lições da história está fadado a repetir seus erros; os economistas esqueceram os eventos da Grande Depressão e o colapso de mercados financeiros não respaldados, que se seguiu à prosperidade dos "Frenéticos anos 20". Pois a história se repete, com o crescimento de mercados desregulados e com a prosperidade dos anos 1990 desembocando, em 2008, na maior recessão desde a grande depressão. Em dezembro de 2007 o Wall Street Journal indicava que o ex-presidente do Federal Reserve, Alan Greenspan, um forte proponente da Teoria do Mercado Eficiente (Efficient Market Theory, ou EMT) recomendava aos políticos que nada fizessem para prevenir uma possível recessão que poderia estar quase chegando, em consequência da confusão nos empréstimos sub prime a mutuários. Greenspan recomendava que deixassem o próprio mercado resolver o problema “deixando que os preços da habitação (e as garantias anexas às hipotecas) caiam até que os investidores os vejam como pechinchas e comecem a comprar, estabilizando assim a economia”.
Similarmente, em um artigo de 14 de dezembro de 2008 no New York Times (“Depois Que o Dinheiro Sumiu”), o ganhador do Prêmio Nobel de Economia de 2008, Paul Krugman, definia o problema da casa própria como um caso em que o preço da habitação excedia a “proporção normal” relativa à renda ou ao rendimento. Como Greenspan, Krugman nada sugeria que os políticos pudessem fazer para aliviar o transtorno causado pela bolha habitacional deflacionária. Ao contrário, Krugman acreditava, aparentemente, que um eficiente mercado habitacional acabaria caindo 30% e a normalidade seria restaurada.
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